Perspectivas #7 (final)
Eu fechei os olhos e
Morri
Quando acordei de novo
Estava num salão com
Tetos e paredes distantes e cujo
Chão era igual a um
Tabuleiro de xadrez
Sobre cada quadrado preto
Tinha uma pessoa de pé como eu
Olhando para frente
Lá longe um
Poste gigantesco
Segurava uma placa que
Dizia
Aguarde sua vez
Os que estavam na minha frente e
Do meu lado
Cochichavam
Ansiosos
Eu permaneci calado
Paciência foi a primeira de duas coisas que aprendi enquanto estava vivo
A segunda foi
Livro não se empresta
Um senhor
Corcunda e de cabelos ralos que
Vestia um manto curto e gasto
Parecendo um lençol velho
Pescando-siri
Vinha na minha direção mas
À prazo
Parava de pessoa em pessoa
Ou melhor de
Morto em morto
Colocava a mão sobre a cabeça do sujeito
Dizia alguma coisa e
Depois
Se dirigia ao próximo
O morto da vez por
Sua vez
Após receber a benção do velho
Desaparecia
A cada quadrado vencido
Os cochichos aumentavam
Uns diziam que o velho era um anjo
Outros que ele falava em alemão
Todos concordavam que ele falava uma coisa diferente para cada pessoa
Uma mulher atrás de mim
Soluçava à espera do seu xeque-mate
Eu não queria morrer no dia do meu aniversário
Ela disse
Lembrei do aniversário da minha neta
Quando eu usava uma pomada para furúnculo e
O cachorro da minha nora
Cheirou a minha bunda a festa inteira
Por fim
O velho se aproximou de mim
Olhou-me nos olhos
Repousou a mão na minha testa e
Com um tom muito sincero em
Lusitano português
Me disse algo que
Era para eu pensar
Durante toda a eternidade
Mas eu estava com a cabeça longe
Cachorro
Pomada
Furúnculo
Acabei não prestando atenção
Na minha sentença
Depois de sumir no éter
Com a mente livre
Lembrei de toda minha vida
Pouco a pouco
E passei a eternidade assim
Relendo capítulos
Os que eu mais gosto
Me perdoe patroa
São dos dias em que eu fiz gol
Na hora do recreio
Me perdoe você também
Mas eu preciso confessar
Às vezes
Eu até esqueço
Que estou morto
--Bent
------------------
[1] Poema dedicado ao ilustre Canário e inspirado em sua obra 'Horizonte Distante'. Inicialmente denominado 'Tabuleiro', teve seu título alterado para se encaixar na proposta das 'Perspectivas'.
[2] Feliz aniversário adiantado meu querido-existencialista-grunge e eterno-parceiro-de-filmes-no-Estação Pombo! As pessoas de Julho tem uma forma misteriosa de se entenderem.
[3] Estarei de férias até o início de Setembro, portanto ficarei um pouco distante do ninho. Por favor, não abandonem nosso viveiro. Os urubús estão atrás de ovos. Amigos passáros, revelem-nos suas almas, queremos todos aprender com vocês!
sexta-feira, 29 de junho de 2007
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Exposição do Pombo
olha o arrulho aí...
fiz umas fotos aqui na terrinha fria, montei uma exposição online com um amigo...
tenho certeza de que vocês vão gostar
entrem lá pra curtir as fotos...
(por favor)
tá aqui nesse link:
clique aqui
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beijos e abraços pra todos,
no sábado, churrasco na serra.
qualquer coisa me liguem !
valeu !
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valeu !
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Quem nunca sonhou???
E ai passarada, como estão todos? Espero que estejam bem. Coruja onde está você, onde??? Sinto sua falta por esses ares.
Bom, nesse sábado que passou, vimos aqui na terrinha, mas precisamente, no circo voador, uma nova banda, ou grupo musical, não sei ao certo como nominá-lo. Chama-se esse grupo, "teatro Mágico". Achei ótimo. Uma proposta nova, diferente e inovadora. O grupo é de Minas Gerais.
Trata-se de um espetáculo musical, onde os integrantes vestem roupas de circo, com caras pintadas e roupas coloridas. Há trapezistas que fazem suas atuações em cima da galera, malabaristas, e até a interpretações de poesias, muito legal mesmo.
Sei que nessa noite, cheguei a sonhar que era trazista e que fazia incríveis apresentações, com saltos incríveis. O espetáculo me trouxe um sentimento bom, de ver uma coisa nova e de certa forma, um resgate a esse tipo de espetáculo, tão abandonado por nós hoje em dia. Enfim, curi, me diverti e sonhei. Muito bom.
Sendo assim, meu poust de hoje é:
ASTRONOMO OU ASTRONAUTA?
Acontece que no dia do meu aniversário de oito anos, enquanto as crianças brincavam em dar volta nas cadeiras, viam o palhaço ou jogavam bolas, eu fui caminhar, pelo enorme quintal da casa velha, com meu tio, um homem de ótimo caráter e uma incrível visão sentimental sobre a vida e o universo.
O quintal da casa era bem grande, com alguns pés de amora, um caminho até o portão cercado por orquídeas onde dois cachorros da raça Labrador sempre passavam com tudo, e mais adiante, havia uma pequena trilha a qual, após uma caminhada pelos estreitos pedaços onde conseguíamos caminhar, e que sempre estavam bem escorregadios devido as constantes noites de muito sereno e orvalho, podia-se chegar perto e ouvir o som de uma pequena queda d’água, coisa que me era super agradável.
Segui pela trilha com meu tio. Ele era o filho mais novo da minha avó e talvez por isso nos dávamos tão bem, apesar de nessa ocasião ele já ostentar seus vinte e seis anos, e até alguns cabelos brancos. Era desengonçado, mas engraçado e tinha talvez, o coração mais bonito que já encontrei.
A noite era fria, mas mesmo assim eu me lambuzava com meu picolé, e meu tio aproveitava o ar puro pra fumar seu cigarro. Caminhamos de mãos dadas a maior parte do percurso, até avistarmos o final da trilha, que dava numa enorme rocha e uma vegetação bem densa cercada com arames farpados.
Meu tio com toda a sua alto confiança, e sempre capaz de passar um sentimento que seja bom de se sentir, me convenceu a subir até o topo da enorme rocha.
É bem verdade que quando se confia que nada vai dar errado, quando se confia no êxito da sua missão, ela acaba parecendo mais simples e sua confiança acaba te levando ao sucesso, ainda que haja alguns pequenos tombos pelo caminho. Assim foi e subimos até o topo.
Era uma enorme pedra, e do seu cume dava-se pra ver o céu, lindo enorme, extraordinário, e luminosíssimo céu estrelado. Céu que, mais tarde, me vinha apenas nessas lembranças das noites na pedra na velha casa de meus avós, que ficava bem no alto da serra.
Meu tio já acabara o seu cigarro e eu meu picolé, eu fingia que acreditava em algumas, e ele adorava isso, e noutros realmente acreditava, e ele adorava isso ainda mais. Conversávamos muito, e meu ele sempre tinhamos boas e engraçadas histórias pra contar. Foi então que depois de um curto período de silêncio em que só a noite se comunicava, enquanto olhávamos atentamente para o infinito, é que meu tio me perguntou se eu preferiria ser astrônomo ou astronauta.
Perguntei o que era um astrônomo, e ele me explicou. Mas depois brincamos de astronauta. Foi incrível. Imaginar viajar no breu mais escuro que já se teve noticia, experimentar o que ninguém experimentou, flutuar em ares cobertos por algodão doce e toda aquela poeira cósmica colorida e brilhante. Ouvir uma música jamais tocada ou imaginada. Ver passar nos olhos túneis do tempo com cores que não vemos na Terra, e imaginar como as minhocas espaciais, abriam seus túneis através das galáxias, causando assim a viagem no tempo, a qual depois tantas vezes me apoiei. Além disso, flutuávamos e sentíamos a leveza e a insignificância de nosso ser, em meio a toda aquela gravidade, que suspendia a nós e a nossas guloseimas espaciais. Tocávamos estrelas com as mãos e o que sentíamos agora era um sereno incrível, estelar e espacial. Viajamos juntos pelas curvas das galáxias mais obscuras. E, mas tarde, sempre voltávamos.
Ficamos lá até tarde e tínhamos que voltar. Voltar a Terra para encontrar os outros de nossa espécie, nossos genitores, os quais, explicou meu tio, eram nossos pais. Era hora de pousar a nave mágica da imaginação, sair da imensidão espacial e sem limites dos pensamentos, para pousar ali. Naquela enorme rocha, na pequenina cidade, e na velha casa dos meus avós.
Depois de ver mais uma estrela cadente zunindo galáxia a’dentro, e fugir de um pedaço de meteoro que viera em nossa direção, pousamos com tranqüilidade. Tiramos as roupas espaciais, e infelizmente, tive que soltar o pequeno animalzinho voador, peludo e gosmento que se alimentava de bons sentimentos, que eu havia pegado na quinta galáxia que visitamos.
Muito entusiasmados com nosso passeio voltamos para a festa que por sinal, já se encontrava no fim, com algumas crianças esperando ainda o corte do bolo. É, eu quase havia me esquecido disso, era meu aniversário. Cantamos parabéns, partimos o bolo e eu dei o primeiro pedaço para o meu tio, surpreendendo a alguns, e a outros nem tanto.
Depois, brinquei um pouco com as crianças, embora volte e meia, teimasse em querer ir lá fora para dar uma espiadinha no céu.
Depois dessa noite, toda vez que nos encontrávamos, queríamos sempre olhar para o céu, de onde dessa pra imaginar e sonhar um pouco, feitos dois astronautas. E vagar em toda a curiosidade, toda sentimentalidade, toda imaginação que cabe as crianças, ás crianças de todo o mundo, de todo o espaço e de todo o universo.
Vencer barreiras e viajar sem limites. Essa é a grande vantagem de se ser criança. Sonhar e imaginar, inquestionavelmente.
O joão de barro manda um beijo no coração de todos e pede: Jamais deixem de ser criança...voemos todos a incrível e fascinante "terra do nunca"
Bom, nesse sábado que passou, vimos aqui na terrinha, mas precisamente, no circo voador, uma nova banda, ou grupo musical, não sei ao certo como nominá-lo. Chama-se esse grupo, "teatro Mágico". Achei ótimo. Uma proposta nova, diferente e inovadora. O grupo é de Minas Gerais.
Trata-se de um espetáculo musical, onde os integrantes vestem roupas de circo, com caras pintadas e roupas coloridas. Há trapezistas que fazem suas atuações em cima da galera, malabaristas, e até a interpretações de poesias, muito legal mesmo.
Sei que nessa noite, cheguei a sonhar que era trazista e que fazia incríveis apresentações, com saltos incríveis. O espetáculo me trouxe um sentimento bom, de ver uma coisa nova e de certa forma, um resgate a esse tipo de espetáculo, tão abandonado por nós hoje em dia. Enfim, curi, me diverti e sonhei. Muito bom.
Sendo assim, meu poust de hoje é:
ASTRONOMO OU ASTRONAUTA?
Acontece que no dia do meu aniversário de oito anos, enquanto as crianças brincavam em dar volta nas cadeiras, viam o palhaço ou jogavam bolas, eu fui caminhar, pelo enorme quintal da casa velha, com meu tio, um homem de ótimo caráter e uma incrível visão sentimental sobre a vida e o universo.
O quintal da casa era bem grande, com alguns pés de amora, um caminho até o portão cercado por orquídeas onde dois cachorros da raça Labrador sempre passavam com tudo, e mais adiante, havia uma pequena trilha a qual, após uma caminhada pelos estreitos pedaços onde conseguíamos caminhar, e que sempre estavam bem escorregadios devido as constantes noites de muito sereno e orvalho, podia-se chegar perto e ouvir o som de uma pequena queda d’água, coisa que me era super agradável.
Segui pela trilha com meu tio. Ele era o filho mais novo da minha avó e talvez por isso nos dávamos tão bem, apesar de nessa ocasião ele já ostentar seus vinte e seis anos, e até alguns cabelos brancos. Era desengonçado, mas engraçado e tinha talvez, o coração mais bonito que já encontrei.
A noite era fria, mas mesmo assim eu me lambuzava com meu picolé, e meu tio aproveitava o ar puro pra fumar seu cigarro. Caminhamos de mãos dadas a maior parte do percurso, até avistarmos o final da trilha, que dava numa enorme rocha e uma vegetação bem densa cercada com arames farpados.
Meu tio com toda a sua alto confiança, e sempre capaz de passar um sentimento que seja bom de se sentir, me convenceu a subir até o topo da enorme rocha.
É bem verdade que quando se confia que nada vai dar errado, quando se confia no êxito da sua missão, ela acaba parecendo mais simples e sua confiança acaba te levando ao sucesso, ainda que haja alguns pequenos tombos pelo caminho. Assim foi e subimos até o topo.
Era uma enorme pedra, e do seu cume dava-se pra ver o céu, lindo enorme, extraordinário, e luminosíssimo céu estrelado. Céu que, mais tarde, me vinha apenas nessas lembranças das noites na pedra na velha casa de meus avós, que ficava bem no alto da serra.
Meu tio já acabara o seu cigarro e eu meu picolé, eu fingia que acreditava em algumas, e ele adorava isso, e noutros realmente acreditava, e ele adorava isso ainda mais. Conversávamos muito, e meu ele sempre tinhamos boas e engraçadas histórias pra contar. Foi então que depois de um curto período de silêncio em que só a noite se comunicava, enquanto olhávamos atentamente para o infinito, é que meu tio me perguntou se eu preferiria ser astrônomo ou astronauta.
Perguntei o que era um astrônomo, e ele me explicou. Mas depois brincamos de astronauta. Foi incrível. Imaginar viajar no breu mais escuro que já se teve noticia, experimentar o que ninguém experimentou, flutuar em ares cobertos por algodão doce e toda aquela poeira cósmica colorida e brilhante. Ouvir uma música jamais tocada ou imaginada. Ver passar nos olhos túneis do tempo com cores que não vemos na Terra, e imaginar como as minhocas espaciais, abriam seus túneis através das galáxias, causando assim a viagem no tempo, a qual depois tantas vezes me apoiei. Além disso, flutuávamos e sentíamos a leveza e a insignificância de nosso ser, em meio a toda aquela gravidade, que suspendia a nós e a nossas guloseimas espaciais. Tocávamos estrelas com as mãos e o que sentíamos agora era um sereno incrível, estelar e espacial. Viajamos juntos pelas curvas das galáxias mais obscuras. E, mas tarde, sempre voltávamos.
Ficamos lá até tarde e tínhamos que voltar. Voltar a Terra para encontrar os outros de nossa espécie, nossos genitores, os quais, explicou meu tio, eram nossos pais. Era hora de pousar a nave mágica da imaginação, sair da imensidão espacial e sem limites dos pensamentos, para pousar ali. Naquela enorme rocha, na pequenina cidade, e na velha casa dos meus avós.
Depois de ver mais uma estrela cadente zunindo galáxia a’dentro, e fugir de um pedaço de meteoro que viera em nossa direção, pousamos com tranqüilidade. Tiramos as roupas espaciais, e infelizmente, tive que soltar o pequeno animalzinho voador, peludo e gosmento que se alimentava de bons sentimentos, que eu havia pegado na quinta galáxia que visitamos.
Muito entusiasmados com nosso passeio voltamos para a festa que por sinal, já se encontrava no fim, com algumas crianças esperando ainda o corte do bolo. É, eu quase havia me esquecido disso, era meu aniversário. Cantamos parabéns, partimos o bolo e eu dei o primeiro pedaço para o meu tio, surpreendendo a alguns, e a outros nem tanto.
Depois, brinquei um pouco com as crianças, embora volte e meia, teimasse em querer ir lá fora para dar uma espiadinha no céu.
Depois dessa noite, toda vez que nos encontrávamos, queríamos sempre olhar para o céu, de onde dessa pra imaginar e sonhar um pouco, feitos dois astronautas. E vagar em toda a curiosidade, toda sentimentalidade, toda imaginação que cabe as crianças, ás crianças de todo o mundo, de todo o espaço e de todo o universo.
Vencer barreiras e viajar sem limites. Essa é a grande vantagem de se ser criança. Sonhar e imaginar, inquestionavelmente.
O joão de barro manda um beijo no coração de todos e pede: Jamais deixem de ser criança...voemos todos a incrível e fascinante "terra do nunca"
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Sexo
Perspectivas #6
Se antes de virar santo
Agostinho tivesse
Comido minha
Professora de
Espanhol
Ele teria
Registrado os
Seguintes
Versos
Abre aspas
Rechear uma
Punheta de
Manhã
Com as recordações da
Foda de
Ontem à
Noite é
Resultado de
Sexo muito
Bem realizado
Fecha aspas
--Bent
Se antes de virar santo
Agostinho tivesse
Comido minha
Professora de
Espanhol
Ele teria
Registrado os
Seguintes
Versos
Abre aspas
Rechear uma
Punheta de
Manhã
Com as recordações da
Foda de
Ontem à
Noite é
Resultado de
Sexo muito
Bem realizado
Fecha aspas
--Bent
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Pela boca.
Ai vou eu...
Voa barro, vuemos PÁSSAROS!!!!!!!!!!!!!!!
PELA BOCA
Pela boca é que se jaz
É por ela que me denuncio
Emana o bafo do que como, do vício.
É ela quem transmite o insaciável “quero mais”
Comendo e bebendo se estraga a carne
Que sofre e sente o ranger de toda a máquina
Grita! Berra! E implora toda essa lástima
E atura todo essa penitência que te cabe.
Com palavras impróprias fiz inimigos
Que se pudessem, me matariam e me comeriam!
Pela mesma boca que se difamam, caluniam
E com meu sangue opaco, sentiriam os lábios carcomidos.
A língua que se farta das frutas mais suculentas
É a mesma que se arrepia com as azedas e amargas
Lambe os beiços, penetra e ampara.
E no frenesi de sensações, serra os dentes.
Pela boca se cospe, suga e escarra.
Morde e rasga, vicia e mata, engana e sofre.
É pela boca que denuncio mais ninguém se comove.
E é pela boca que, podemos pedir desculpas para quem ainda assim possa amá-la.
FIM
bEIJO NO CORAÇÃO DE TODOS DO BARRÃO!!!!!!
Voa barro, vuemos PÁSSAROS!!!!!!!!!!!!!!!
PELA BOCA
Pela boca é que se jaz
É por ela que me denuncio
Emana o bafo do que como, do vício.
É ela quem transmite o insaciável “quero mais”
Comendo e bebendo se estraga a carne
Que sofre e sente o ranger de toda a máquina
Grita! Berra! E implora toda essa lástima
E atura todo essa penitência que te cabe.
Com palavras impróprias fiz inimigos
Que se pudessem, me matariam e me comeriam!
Pela mesma boca que se difamam, caluniam
E com meu sangue opaco, sentiriam os lábios carcomidos.
A língua que se farta das frutas mais suculentas
É a mesma que se arrepia com as azedas e amargas
Lambe os beiços, penetra e ampara.
E no frenesi de sensações, serra os dentes.
Pela boca se cospe, suga e escarra.
Morde e rasga, vicia e mata, engana e sofre.
É pela boca que denuncio mais ninguém se comove.
E é pela boca que, podemos pedir desculpas para quem ainda assim possa amá-la.
FIM
bEIJO NO CORAÇÃO DE TODOS DO BARRÃO!!!!!!
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