domingo, 20 de março de 2011

São Paulo

Outono #1

O barulho que é parte de nossas vidas. Num tempo de tantas opções. Canções em anúncios. Websites e cafés. Quantas marcas existem? Toda música tem um nome. Mas nem todo barulho é apenas um. Às vezes tem sentido, às vezes é nenhum. Mas em milhões de Tweets ou Likes. De acordes e suspiros. Existe um ponto a seguir. Um som que todos conhecem. Porém ninguém fala sobre. Que alguns tentam e não conseguem evitar. Uma voz. Isso, o som de uma voz. Que homens e mulheres compartilham, mas ninguém ouve. Porque não tem nome. Porque não vem de fora. E o melhor sentido – ou destino, como queiram chamar – é o que ele indica.


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segunda-feira, 14 de março de 2011

Barro's

Amigos, sem ousadia mas aproveitando o gancho certeiro do nosso Canárin sete pele, resolvi expor aqui o meu poema de menos grandeza literária porém com grande sentimento verdadeiro nele esculpido, que fiz após a trajetória devastadora daquelas chuvas de janeiro.

Com o lamento ainda me arranhando o peito, porém com a força que me sustenta com o auxílio das roupas e armas de Jorge sigo em frente. Busca a energia cotidiana em cada um de vocês e, a cada um de vocês, dispõnho meu amor cheio de vida e energia positiva.

Assim eu escrevi:


Da lama. Vidas estilhaçadas.



Por que meu Deus do céu
De Teu Lar, Tua morada
Veio a chuva que tanto castiga
Tanto maltrata e mata?

Se choras a dor do homem
Chora o homem a dor humana
Da perda, da lama, da água
Choramos a desgraçada intensidade de tuas lágrimas

Desculpe-me o descuidado jeito com as palavras
Mas me falta razão, me falta preparo. Falta-me chão.
Falta-me a compreensão e me consomem a dor e o desamparo.

Quanta lama afoga meu povo, sufocando sonhos, vidas.
Quanta cama ficará vazia, pois, deitam-se corpos em covas rasas.
Mãos cavam insanamente atrás de um suspiro, mas só encontram vidas estilhaçadas.


Fim


Beijo gigantesco no coração de todos!

O Barro da alegria, João.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Águas da Serra

Águas que correm,
claras,
do escuro dos morros,
cantando nas pedras a canção do mais-adiante,
vivendo no lodo a verdade do sempre-descendo...
Águas soltas entre os dedos da montanha,
noite e dia,
na fluência eterna do ímpeto da vida...
Qual terá sido a hora da vossa fuga,
quando as formas e as vidas se desprenderam
das mãos de Deus,
talvez enquanto o próprio Deus dormia?...
E então, do semi-sono dos paraísos perfeitos,
os diques se romperam,
forças livres rolaram,
e veio a ânsia que redobra ao se fartar,
e os pensamentos que ninguém pode deter,
e novos amores em busca de caminhos,
e as águas e as lágrimas sempre correndo,
e Deus talvez ainda dormindo,
e a luz a avançar, sempre mais longe,
nos milênios de treva do sem-fim...

João Guimarães Rosa
(canaRIO)

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