sexta-feira, 3 de abril de 2009

Estética do flagrante...

Um preso flagra imagens de toda movimentação antes da morte de outro preso, dentro do Presídio. Já é inaceitável que este tipo de cena aconteça em um presídio e ainda ser filmada por um próprio detendo e exibida no Fantástico, mas não é isso que eu quero discutir hoje.


Sempre vemos imagens aterrorizantes de mortes, assassinatos, trajédias na TV todos os dias. absorvermos tudo, de garganta seca, guela a dentro como se fosse banal. Virou lugar comum ver apresentador bater na mesa cobrando ação atitude mas mauitas das vezes sem pensar no peso de sua retórica. Qual é a responsabilidade de um editor ao cuspir estas matérias em nossa cara? Me questiono muito o papel do jornalista, qual é o meu papel perante a sociedade.


É certo noticiar o que acontece, mostrar ao outro a nossa realidade mas será que não cabe um filtro. O que é importante? Discutir o tema, vizualizar seus problemas, propor soluções ou simplesmente dizer e mostrar o que aconteceu. Tenho me questionado muito isso....

O grotesco está aí, é só olhar na esquina que vemos assaltos, misérias, desrespeito com o bem comum e aí. Precisamos de mais? Ou precisamos de novos olhares, de idéias e ideais...

Não sei....

Fica a discussão.

Frase do Dia:
"A televisão é a verdadeira máquina de fazer doidos." Sérgio Porto

By Muru

6 comentários:

Patativa mantendo a discussão disse...

Boa Muru...eu estou gostando cada vez mais desses temas na Voz. Aliás, esse é polêmico.
Quando se fala em filtros para a TV, os críticos ficam de orelha em pé, falam em censura, liberdade de expressão, etc...
Acho que a ditadura militar foi, de maneira geral, muito ruim pelo simples fato de ter sido uma ditadura e todo mal que ela causou não se resume ao período em que ocorreu. Os traumas permanecem. Influenciaram na nossa constituição de 1988 e influenciam muito a opinião pública até os dias de hoje. Falo, também por mim, que não vivenciei esse período ( graças a Deus!) e torço o nariz quando ouço falar em filtro.
Agora, se tem uma coisa que concordo com vc é a irresponsabilidade dos meios de comunicação em simplesmente noticiar as coisas sem dar seguimento. Posso apostar que daqui a alguns dias não mais se publicarão noticias sobre esse assassinato e sobre medidas para que isso não se repita. Ou será que vou queimar a língua?

Igor S. Farah disse...

boa muru,

bem vindo de volta a babilônia !

extra !! extra!!!! extra !!!! disse...

Trancafiar criminosos tomando banho de sol de 3 horas, em um ambiente umido só pode dar nisso. Se voçê quer enfurecer um animal tranque ele numa cela.
E esse tipo de jornalismo nada mais é do que um jornal de papel na tv, veio hoje e vai embora amanhã.
E percebo observando nas bancas de jornal que o medo e os crimes se tornaram vicios na sociedade , gostamos de consumir o medo vendemos o medo diariamente contando uma historia sinistra então isso bem contado e com a trilha sonora certa vende muito.
Que pena não ter nascido naquele Rio em que a historia mais assustadora a ser contada era um texto de Nelson Rodrigues.
Abraços a todos
Quero -quero .

canario refletindo disse...

Pq será q temos tanto interesse no medo/morte?? E idolatramos sua poetização nos Hitchcock's ou no nosso Barro com seus poemas sobre o "mal do século"....

Enfim, concordo num jornalismo mais ativo! Que assume lados, posições e pricipalmente propõe soluções e alternativas!

PS: Ótimo post by the way!

Anônimo disse...

Concordo em não haver censura de modo algum, mas acredito na autocrítica. É dever de quem ler e estuda a comunicação entebder e questinar o que é de interesse público e o que é interesse do público. Se não existir isso caminhamos para um mídia cada vez mais sensacionalista e sem ética.

Muru

Barrão disse...

Cheguei tarde mas ainda assim vou falar. Penso que o jornalismo é função de suma importância, pois é com ele que sabemos das coisas do mundo que estão sempre acontecendo sem que nós saibamos, ou tenhamos "notícia". É fato, o que conversamos e o que sabemos, é baseado na informaçao destes profissionais. Imprescindível que tenhamos uma responsabilidade nessa profissão, no nosso país, ainda tem seus grandes grupos ainda em mão de pessoas que appoiaram o movimento militar, seus conceitos e ideais de certa forma ainda vivem. Temos nós, espectadores e consumidores, o dever de aom menos tentar distinguir, o que será válido a o meu conhecimento, o que é sensacionalismo, o que é de aplausos e o que pra vaiar.
Sem ditadura ou sensura, mas com responsabilidade.Enfim, muito pode se falar desse tema mas ficarei por aqui.

Beijo do Barrote.