Já que nosso muito querido e tão cheio de vida bent, trouxe-nos essa sua perspectiva sobre a morte, resolvi manter a linha.
Afinal essa é a única certeza da vida, e se alguém disser que nunca pensou nisso está mentindo!
Infelizmente já se nasce morrendo, ao menos nessa nossa tão mesquinha vida, física e material, pois de resto, ainda não sei nada.
Desculpem mas ainda se encontra sem um título.
Enquanto borbulha a agonia
De quem espera
Inflama-se um sentimento
Em mim. Abandono, rasgado.
Escura sala vazia de reuniões
Evoco Santos que sejam capazes
Não de me salvar
Mas de me acompanhar
Não para lançar sob mim
Suas bênçãos, mas para olhar-me.
Para simplesmente ser-me companhia
Nos meus últimos momentos de vida
Que por culpa Divina, passo sozinho.
Esvaziando no meu túmulo frio e escuro
Inerte, a morte já possuidora de minha alma.
Apodreço num fétido temor carniceiro
E podre em meio a musgos
Num lugar que somente quem já se foi
É capaz de voltar-se até mim
Para dizer-me “Seca-te tua mágoa,
pois é no breu mais escuro que encontrará
sua luz.” Então, com a boca seca e ossos gelados
me dou por mim e vejo o espectro sombrio da eternidade
E, com essa imensidão no peito vazio.
Sinto a amargura da solidão banhada num leito mortal
E com tom fúnebre aos ouvidos, silencio e fecho os olhos.
FIM
Desculpem o pesar do tema, mas as vezes é preciso.
Beijo do João de barro no coração de todos e lembren-se:
"Quem passou por essa vida e não viveu
pode ser mais mas sabe menos do que eu
porque a vida só se da pra quem se deu,
pra quem sonhou, pra quem chorou, pra quem sofreu..."
Boa semana e até.
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Um comentário:
Sombriamente lindo barro! Me pareceu o texto mais sincero que vc registrou até hoje aqui no ninho. Bonita mensagem e bela escolha de palavras. O tema é morbido e pesado, mas vc o escreveu com leveza. Se 'escrever é cortar palavras' realmente, vc está no caminho certo. Não tem nada fora do lugar. Parabéns. Continue sendo honesto com sua literatura. ;-)
--Bent
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