Águas que correm,
claras,
do escuro dos morros,
cantando nas pedras a canção do mais-adiante,
vivendo no lodo a verdade do sempre-descendo...
Águas soltas entre os dedos da montanha,
noite e dia,
na fluência eterna do ímpeto da vida...
Qual terá sido a hora da vossa fuga,
quando as formas e as vidas se desprenderam
das mãos de Deus,
talvez enquanto o próprio Deus dormia?...
E então, do semi-sono dos paraísos perfeitos,
os diques se romperam,
forças livres rolaram,
e veio a ânsia que redobra ao se fartar,
e os pensamentos que ninguém pode deter,
e novos amores em busca de caminhos,
e as águas e as lágrimas sempre correndo,
e Deus talvez ainda dormindo,
e a luz a avançar, sempre mais longe,
nos milênios de treva do sem-fim...
João Guimarães Rosa
(canaRIO)
http://magma.pen.io/
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4 comentários:
valeu cana!
sábias palavras do genial
Guimarães Rosa
Verdade canariusprofetishumus, bom verso triste poesia.
Abraço Quero - quero
Interessante como esse poema se encaixa no momento atual, de alguma forma. Não pude evitar de pensar em Friburgo. Abraços amigo!
poxa amigo, que beleza e quanta poesia banhada em lama, em prosa em verso.
É de arrepiar!!! Salve Guimarães que, dessa vez, não destacou as rosas!
Beijo do barrão à todos.
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